Secretário da Agricultura participa de debate sobre situação de frigorífico em Alegrete
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A repercussão do anúncio de encerramento das atividades da planta industrial do frigorífico Marfrig, previsto para 1º de setembro, vem preocupando os produtores alegretenses. As lideranças buscam ampliar a discussão sobre o impacto na cadeia produtiva local e, inclusive, em outras regiões.
Diante da situação, o secretário estadual de Agricultura, Pecuária e Agronegócio, Cláudio Fioreze, foi recebido na manhã desta quinta-feira (21) na Prefeitura para ouvir de lideranças do município. O prefeito Erasmo Silva, a vice-prefeita Preta Mulazzani, vereador Zé Paulo (PT), o vice-presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, Jesus Dornelles, e o presidente do Sindicato Rural, Pedro Píffero compareceram ao encontro.
Na ocasião, Fioreze citou os incentivos do Estado à empresa, como a participação no Programa Agregar RS com crédito no ICMS de 4% e na energia elétrica. Disse que o Estado tem total interesse em contribuir. "Vamos trabalhar a questão com outros setores do governo, como a Sala do Investidor. Também estamos tomando pé da situação, mas o governo está fazendo a sua parte, incentivando os ganhos de natalidade e produtividades no rebanho bovino e ovino do RS", garantiu.
O secretário também mencionou os investimentos massivos na recuperação da Defesa Agropecuária, na ordem de R$ 60 milhões, da pesquisa (R$ 52 milhões) e da assistência técnica, ao dobrar o orçamento da Emater. Falou ainda da necessidade de retomar o debate da rastreabilidade do rebanho bovino. "Não é um desejo de governo, e sim uma questão de Estado e de viabilidade da cadeia produtiva num futuro cada vez mais próximo".
O prefeito Erasmo Silva reconheceu as limitações do Poder Público para interferir na avaliação mercadológica da empresa, mas questiona o ato quanto à questão social. "Qual seria a possibilidade de intervenção nesta atitude da empresa em manter a planta fechada, sem abrir a possibilidade de outras empresas assumirem?". Ela mencionou que, atualmente, o frigorífico emprega 680 pessoas, gerando mensalmente 1,2 milhão de reais em salários. Com cerca de 500 abates ao dia, totaliza 120 milhões de reais na compra de gado e gera 3 milhões de reais por ano em ICMS ao município.
A vice-prefeita reforça a posição de que o problema não restringe-se somente à região. "A busca com o estado é para ampliar a discussão para além da questão regional. O município tem limitações nesta discussão. Só o estado pode chamar a direção geral da Marfrig e questionar", entende Preta Mulazzani.
Píffero solicitou ao secretário mais elementos para o debate. Conforme o sindicalista, o problema atinge a todos envolvidos na cadeia produtiva estadual. “Precisamos entender melhor o que está acontecendo", assinalou. Já o vereador Zé Paulo considerou importante trazer o Governo Federal para a discussão. “Existe recurso do BNDES envolvido", salientou, referindo-se ao empréstimo tomado pelo Marfrig.
Conforme nota, a Marfrig suspenderá temporariamente os abates na unidade de Alegrete, no oeste do Rio Grande do Sul a partir de 1º de setembro. A unidade abate de 500 a 600 animais/dia e emprega 680 pessoas. A empresa informou que o volume de animais abatidos no Estado, 1.500 cabeças/dia, será mantido nas unidades de Bagé e São Gabriel e disse que as ação é “uma decisão estratégica e mercadológica”.